Futuro Imperfeito

Ficção Científica, Fantasia e Horror


Uma Introdução

Não sei dizer quando foi que comecei a gostar de Ficção Científica e Horror. São uma parte de mim desde que me entendo por gente. Cresci em Salt Lake City, e tinha cinco anos quando Neil Armstrong pisou na Lua. Apesar de não ter nenhuma lembrança desse evento, pode ter sido uma influência: durante anos, guardei um livro pop-up que ganhei sobre o pouso na Lua. Lembro de ter assistido a Jornada nas Estrelas pela primeira vez na casa de um coleguinha de escola. Deve ter sido por volta de 1970, logo depois da exibição original. Era o episódio “Arena”, em que Kirk enfrenta o Gorn, um homem-lagarto. Sensacional! Me lembro de assistir a Dark Shadows e a filmes de terror muito impróprios pra minha idade; o desenho animado do Homem-Aranha, e a Mansão Assombrada na primeira visita à Disneylândia em 1971. (Eu também adorava westerns como Bonanza, mas tendo nascido em Utah, era inevitável.)

Depois da mudança pro Brasil, país da minha mãe, descobri séries tokusatsu japonesas como Ultraman, e os filmes do Planeta dos Macacos. Mas talvez o evento mais marcante tenha sido assistir a 2001: Uma Odisseia no Espaço no cinema com a minha mãe, por volta de 1975. Isso expandiu a minha mente. Veio a segunda vez, e então uma terceira com o meu avô, que se tornaria uma influência mesmo depois de falecido. Ele adorava FC, e tinha estantes de livros de bolso: muito Asimov, Heinlein e Clarke; uma coletânea de Lovecraft; uma primeira edição de 1984, e livros de autores brasileiros como Jerônymo Monteiro. Minha mãe também gostava desses, e me apresentou a Ray Bradbury. Quando comecei a caçar livros por conta própria, descobri Frederik Pohl e a antologia de ganhadores do Prêmio Hugo editada por Isaac Asimov, com gente como Robert Silverberg e Harlan Ellison. E tudo isso antes mesmo de Star Wars aparecer. 

O que Star Wars fez, acima de tudo, foi me interessar em aprender como filmes eram feitos. Passei a ler revistas, não só as especializadas em FC, mas também de críticas e produção cinematográfica. Ainda adolescente, fiz alguns filmes de efeitos especiais em Super-8 com modelos de naves espaciais, e por um momento pensei em seguir carreira no cinema. Acabei me formando em Jornalismo, mas até que isso acabou enriquecendo o meu interesse por ficção especulativa. Cobri o noticiário internacional por quase 30 anos, acompanhando guerras, transformações sociais e políticas, avanços científicos e a exploração espacial.

Por muito tempo, me contentei em assistir de longe. Mas recentemente participei das Convenções Mundiais de Chicago (2022) e agora em Glasgow (mais sobre essa em breve aqui). Isso me fez realmente sentir o que significa fazer parte da comunidade da FC. E na última década, cresceu a vontade de contribuir para esse diálogo e escrever um pouco eu mesmo: ensaios, resenhas, comentários. Quem sabe, um conto ou outro. Vinha contribuindo para o blog de uma amiga, e agora aqui estou com o meu próprio. Então sintam-se à vontade, façam contato se gostarem do que eu escrevo, ou mesmo pra discordar e dizer como estou errado.

Vamos conversar.



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