O escocês Ken Macleod foi um dos convidados de honra da recente Convenção Mundial de Ficção Científica em Glasgow, e não só por ser um autor local: em quase trinta anos de carreira, ganhou duas vezes o prêmio da Associação Britânica de Ficção Científica (BSFA), e teve várias indicações aos prêmios Hugo, Nebula, Clarke e Locus.

Pouco antes da convenção, publicou o terceiro volume da trilogia Lightspeed (Beyond the Hallowed Sky (2021), Beyond the Reach of the Earth (2023), Beyond the Light Horizon (2024). A sequência serve como uma ótima introdução à obra dele, e até como uma retrospectiva, não só da bibliografia de MacLeod, mas até do próprio gênero.
Num futuro próximo, a cientista Lakshmi Nayak descobre o segredo de como superar o limite da velocidade da luz. Só que a descoberta vem na forma de uma mensagem dela mesma, vinda do futuro. Quando finalmente consegue alguém que se interessa por construir uma nave com o projeto dela e faz a primeira viagem, descobre que outros governos aqui da Terra já estavam lá antes, em segredo. Há uma gigantesca conspiração e uma disputa comercial expansionista dos blocos geopolíticos da Terra, e tudo vem à tona de maneira explosiva. E tem mais: os exploradores descobrem uma espécie de inteligência artificial alienígena que parece onipresente e que está diretamente ligada à vida em vários planetas – inclusive o nosso.
A partir daí, MacLeod examina vários temas básicos da Ficção Científica: exploração espacial, colonização de outros planetas, primeiro contato, inteligência artificial, robôs sociopatas, uma pitada de guerras espaciais e conflitos políticos futuros, e até a origem da vida.

Pode parecer muito, mas MacLeod escreve com um estilo leve e muitas vezes bem-humorado, irônico. Uma característica dele desde o primeiro romance, o distópico The Star Fraction (1995).
MacLeod também é fiel a uma visão socialista, e isso fica claro no embate entre os três grandes blocos político-econômicos de seu futuro. E a maneira como desenvolve a relação entre os exploradores/colonizadores humanos e as espécies que encontram em outros planetas também serve de crítica às tendências colonialistas de uma certa linha seguida no passado pela FC.
MacLeod acima de tudo é um autor que pensa a FC, e quem quiser conhecer um pouco mais, tem aqui um excelente artigo dele sobre a importância do gênero.
Leave a comment