Aqui vai uma seleção de leituras pra maior festa do ano: o Halloween, claro. Infelizmente, a maior parte em inglês, sempre com a esperança de ver mais autores novos saindo por aqui, além de mais autores brasileiros.

Maeve Fly, de C. J. Leede
O livro de estreia da escritora americana foi indicado ao Bram Stoker Award e ganhou o Splatterpunk Award como melhor de 2023. Maeve é uma jovem que tenta uma carreira de atriz em Hollywood, seguindo os passos da avó, que foi uma grande estrela. Enquanto isso, passa o tempo interpretando uma princesa de desenho animado num certo parque de diversões muito conhecido. Mas Maeve tem um lado sombrio, e sai numa jornada de vingança brutal contra aqueles que a prejudicam. É uma narrativa visceral (literalmente), e o prêmio Splatterpunk é um alerta pros desavisados. O livro tem ainda uma playlist sensacional no Spotify, indo de Billie Holiday a David Bowie, passando por Ramones, Specials e Cramps. O novo de Leede, American Rapture, acaba de sair, e foi direto pro topo da minha pilha de leitura.

Temporada de Caça, de Stephen Graham Jones (Darkside, tradução Leandro Durazzo)
Demorei a chegar nesse livro (lançado lá foram em 2020, aqui em 2022) porque antes quis ler um pouco da obra anterior de Stephen Graham Jones – gosto de acompanhar a evolução de um escritor. E esse parece realmente representar o amadurecimento do talento do autor, reconhecido com os prêmios Stoker, Bradbury e Shirley Jackson. Quatro amigos indígenas têm uma experiência traumática e cometem um grave erro numa caçada. Dez anos depois, enfrentam uma vingança sobrenatural, mas também brutalmente física. O título em inglês, The Only Good Indians, remete a uma frase racista sobre os indígenas americanos. Jones é indígena da Nação Blackfeet, e retrata a vida na reserva (e fora dela) com realismo. Assim como Stephen King, ele tem o dom de criar personagens com quem o leitor sente empatia e se envolve, e isso é o que alimenta o suspense. Depois desse, Jones já publicou mais quatro, e tem outro previsto para o ano que vem. Preciso correr agora.

Delevan House, de Ruthann Jagge & Natasha Sinclair
Um dos prazeres da Worldcon é descobrir escritores novos e editoras independentes. Em Glasgow este ano, tive uma conversa animada com a americana Ruthann Jagge. Junto com a escocesa Natasha Sinclair, elas formam a Brazen Folk Horror. Delevan House é o primeiro livro da dupla, e mistura folclore escocês, caça às bruxas, vingança ancestral, uma reação ao machismo estrutural, e uma discussão sobre o papel da comunidade, e dos crimes que essa comunidade é capaz de cometer e dos segredos que pode guardar em nome de um suposto bem comum. E fica o aviso: as fadas ou espíritos tirados do folclore escocês aparecem aqui numa versão bem primordial e violenta. Também tem uma ótima playlist como trilha sonora, e uma continuação a caminho.

Haunt Sweet Home, de Sarah Pinsker
Sarah Pinsker é uma das minhas escritoras favoritas, desde que previu com exatidão a crise social que seria causada por uma pandemia em A Song for a New Day. Aqui ela lida com casas mal assombradas, mas Haunt Sweet Home não chega a ser um livro de Horror. Mara é uma jovem que busca um rumo na vida. Ela consegue um emprego temporário na produção de um reality show sobre casas assombradas: é encarregada de providenciar as assombrações na falta de fantasmas verdadeiros. É claro que numa das casas, coisas estranhas começam a acontecer… O foco da história não é tanto nos acontecimentos sobrenaturais: os piores fantasmas que Mara enfrenta são os que ela carrega consigo mesma, e que precisa decifrar para descobrir quem ela é e o que quer ser. É uma história de amadurecimento e autodescoberta, contada por Pinsker com uma boa dose de humor.

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