Jerônymo Monteiro, nascido em 11 de Dezembro, é considerado o “pai” da Ficção Científica Brasileira. Que tal comemorar a data lendo alguns dos indicados ao Prêmio Argos do Clube de Leirores de Ficção Científica deste ano?
Esses são os indicados na categoria Romance:

Garras, de Lis Vilas-Boas, se passa numa cidade fictícia que poderia ser o Rio de Janeiro, numa guerra de facções entre lobisomens, vampiros, caçadores, bruxas e anjos sinistros. A herdeira de um clã de caçadores precisa enfrentar uma maldição e pede a ajuda de um clã de lobisomens, a família Lacarez. Cabeças vão rolar, e muitas… Tem romance, tem sensualidade, mocinha com segredos no passado, herói torturado lutando contra os instintos animais, monstros em ação – tem tudo. É uma delícia. Se você ainda tem algum preconceito com Romantasia, vai perder nas primeiras páginas.

Kerigma, de Ricardo Labuto Gondim, é a continuação de Pantokrátor, ganhador do Argos em 2021. Simão, o mago, e sua galeria de seguidores bizarros lutam contra o Regime opressor num Rio de Janeiro em que a teocracia neo-ortodoxa explodiu o Cristo Redentor e tenta controlar a própria percepção da realidade de seus subjugados. Misture muita filosofia, música de Mahler, Wagner e Strauss, e ação num ritmo insano, e nem assim você começará a ter uma ideia do universo delirante de Gondim.

Novas do Purgatório, de Gerson Lodi-Ribeiro, imagina um futuro em que uma inteligência artificial ajudou a salvar a humanidade da catástrofe ambiental. Mas pra isso passou a assumir o papel de Deus, chegando a conversar pessoalmente com os fiéis, e a conceder a alguns o privilégio de uma vida após a morte num Paraíso digital. É claro que isso tem um custo, e quando uma expedição colonizadora que havia deixado a Terra retorna séculos depois, entende essa situação como uma ditadura comandada por uma IA que tudo vê e a todos controla. Isso é combustível pra uma discussão ética sobre livre arbítrio versus o sacrifício de algumas liberdades em troca de um certo conforto e segurança.

O Torneio de Sombras: As Aventuras de January Purcell vol. 1, de Fábio Fernandes é o começo das aventuras de uma oneironauta – alguém que navega no mundo dos sonhos. Misturar personagens reais com ficção é uma especialidade do Fábio Fernandes, e aqui ele traz figuras históricas como o explorador Richard Burton, a cientista Marie Curie, e o gênio David Bowie – sim, ele mesmo – saltando entre realidades alternativas Dizer muito mais seria estragar o prazer da descoberta das muitas referências que o autor costura. O segundo volume, Os Agentes do Caos, já está a caminho.

Sentinela, de Juliane Vicente, é um pesadelo distópico em que várias mulheres, aparentemente sem nada em comum, são presas sem muita explicação e colocadas em isolamento num presídio. A opressão e a violência se manifestam em vários níveis, desde o Estado aos grupos hierárquicos dentro da prisão. Juliane Vicente é um dos principais nomes do Afrofuturismo brasileiro, e recebeu o Argos ano passado na categoria Conto com “Despertar na aurora sideral”.
Abaixo você tem a relação de todos os indicados. A premiação, aberta ao público, será na Acaso Cultural, em Botafogo, dia 21/12, às 16hs.
ROMANCE
Garras, de Lis Vilas-Boas
Kerigma: A Conclusão de Pantokrátor, de Ricardo Labuto Gondim
Novas do Purgatório, de Gerson Lodi-Ribeiro
O Torneio de Sombras: As Aventuras de January Purcell vol. 1, de Fábio Fernandes
Sentinela, de Juliane Vicente
ANTOLOGIA/COLETÂNEA
2057, org. Carlos Hollanda e Rafael Senra
Além do Véu da Verdade, org. João Beraldo
Cristalina como as Lágrimas: e outros minicontos, microcontos e haicais de FC e Fantasia; org. Carlos Relva
No Limiar: Contos de Sci-fi Folclórica, org. Lu Evans
Revista Literatura Fantástica Vol. 20, org. Jean Gabriel Álamo
CONTOS
Alexandra, a Grande; de Carlos Relva (antologia “Cristalina como as Lágrimas”)
Mensagem Instantânea, de Fábio Fernandes (antologia “Além do Véu da Verdade”)
Pista Norte, de Ursulla McKenzie (antologia “Cidades Inversas”)
Pulsão de Morte, de Alexey Dodsworth (antologia “Além do Véu da Verdade”)
Um Vínculo Inquebrável, de Renan Bernardo (antologia “Além do Véu da Verdade”)

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