Recentemente, em encontros com a comunidade brasileira de fãs e escritores de Ficção Especulativa, eu tenho sido apresentado com frases do tipo “ele vota no Hugo!”
Achei que valia a pena explicar e desmistificar esse processo. É simples, e qualquer um pode votar, mesmo não comparecendo in loco à Convenção Mundial, desde que esteja disposto a gastar perto de R$ 300,00…
Nos últimos anos, eu estive presencialmente em Chicago (2022), Glasgow (2024) e Seattle (2025), mas voto e participo virtualmente desde 2012.
Quer saber como? Vem comigo.


Esse preço (US$ 50) é o da inscrição básica na World Science Fiction Society, WSFS, a entidade formada por fãs e que promove todo ano a Convenção Mundial, a Worldcon. Cada edição tem a sua comissão organizadora local, e cria uma base diferente para o foguete. Em 2026, vai ser em Los Angeles.
Com essa taxa de inscrição, você se habilita a votar para indicar candidatos ao Hugo (desde que se inscreva até 31/01), depois nos finalistas, e também a escolher as sedes das próximas convenções. Essa escolha é feita com dois anos de antecedência. A sede de 2027 será Montreal, no Canadá. Em Los Angeles, escolheremos a sede de 2028, entre três candidatas: Brisbane, na Austrália; Nuremberg, na Alemanha; e Kigali, em Ruanda, que poderia ser a primeira Worldcon no continente africano.

Vale a pena: o custo se paga rapidamente, porque depois de escolhidos os indicados, cada eleitor recebe um pacote com edições eletrônicas das obras indicadas. O conteúdo varia: algumas editoras liberam apenas uma amostra de alguns capítulos, mas a maioria disponibiliza os livros e contos inteiros. E isso geralmente inclui Graphic Novels. A categoria Games tem um pouco mais de restrição: quando muito, os produtores liberam uma senha para acesso temporário a uma demo. Em filmes e séries, só os trailers.
A fase de indicações vai do início de Fevereiro até meados de Março. A votação final, de meados de Abril até o fim de Julho, dependendo da data da Worldcon (em 2026, 27-31/08).

Na indicação, você lista até cinco candidatos em cada uma das 21 categorias. Na votação final, cada categoria vai ter seis indicados. Você vota por ordem de preferência, do primeiro ao sexto, e essa ordem influencia a contagem final. Em outra postagem, pretendo explicar o porquê desse complicado sistema de votação e classificação. Por enquanto, basta dizer que foi aperfeiçoado pra evitar que pequenos grupos de fãs “combinem” votos e manipulem a eleição, e também para produzir uma escolha final mais próxima de um consenso. A comissão do Hugo publica as planilhas completas de votação, geralmente logo depois da premiação, pra que todos possam ver as diferenças que separaram cada um, o que faltou pra que alguns chegassem entre os finalistas, enfim, números que os fãs vão passar o ano seguinte inteiro debatendo (até o próximo ciclo de votação).

Depois de votar, quem se animar pode pagar um suplemento para participar virtualmente (US$ 85), e assistir a grande parte dos painéis e eventos, ou se aventurar e ir presencialmente – a inteira para os cinco dias passou a custar US$ 250 desde 04 de Janeiro. Em ambos os casos, aquele valor da inscrição é descontado.

Este ano não devo ir, mas estou correndo pra ler o máximo que puder dos lançamentos de 2025 pra fazer as minhas escolhas. Isso significa que quero ler mais de uns dez romances, sem contar novelas, noveletas e contos, até Março… Não voto em nada que eu não tenha lido – sou contra votar só pelo nome ou por simpatia – e gosto de valorizar escritores novos, por isso a minha lista tem sempre romances de estreia de alguém. Sempre tem alguma surpresa: o ganhador do Hugo este ano não estava no meu radar, só fui ler na fase da votação final… E tem escritor brasileiro publicado em inglês na minha mira. Com méritos, não pelo fato de ser brasileiro, que fique claro.
É divertido, e uma forma de se envolver na comunidade internacional, mesmo não podendo viajar.
Dúvidas? Por favor, perguntem.
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