Futuro Imperfeito

Ficção Científica, Fantasia e Horror


FLIFANTASY 2026

Parece aquelas feiras de duendes e fadas que surgem ao pôr do sol à beira de uma floresta, e desaparecem magicamente quando o dia amanhece. 

Aquela feira onde você pode encontrar poções, feitiços, objetos encantados, e mapas pra terras desconhecidas. 

E tem tudo isso mesmo na Flifantasy, numa floresta urbana nessa terra estranha chamada São Paulo. 

Por algumas horas, a gente pode encontrar esses magos e feiticeiras disfarçados de escritores, desenhistas, criadores.

Carol Façanha, Lis Vilas Boas, Caroline Andrade e Carol Mariotti

Gente que encanta com sua arte e suas histórias. 

Teve romances monstruosos, musical, distopia e  terror. 

Criadores apresentando suas histórias, homenagem à gigante Octavia Butler, e até ganhador do Hugo gente boa. 

Os painéis no auditório só tinham nomes de primeira no cenário nacional. Abordaram temas diversos, e fizeram observações aguçadas sobre o momento da ficção especulativa brasileira. Defesas vigorosas do Romance Monstruoso, da diversidade, e da identificação do estranho como um lugar de pertencimento pra todos aqueles que um dia se sentiram deslocados, diferentes. Sobretudo do fantástico não só como entretenimento, mas principalmente como uma linguagem que nos ajuda a entender o mundo e enfrentar os medos e adversidades.

Eric Novello, Lucas Santana, Giu Domingues

O painel sobre fantasia brasileira trouxe dois alertas. O primeiro, sobre um indício de desaceleração no mercado. O segundo, e mais importante, sobre o momento político. Como disse o Eric Novello, o imaginário é um campo de batalha. A de hoje a gente parece já ter perdido, mas é fundamental lutar pelas gerações futuras.

A presença do ganhador do Hugo, Robert Jackson Bennett, foi a cereja do bolo. Bennett abriu uma janela interessante sobre o processo criativo dele, especialmente sobre a necessidade, às vezes, de jogar fora o que se escreveu e recomeçar. 

Anne Quiangala, Varena Cavalcante, Dane Taranha, e as Afrofuturas Isa e Pétala Souza

Mas o mais divertido é sempre o contato com os criadores. A feira teve dezenas de autores independentes vendendo seus trabalhos, apresentando suas ideias.  Estavam lá veteranos como Fábio Fernandes e Felipe Castilho, autoras em ascensão como Lis Vilas Vilas Boas e Carol Façanha, ao lado de vários novos nomes promissores. É especialmente encorajador ver a quantidade de autores jovens falando com entusiasmo de seus trabalhos. Voltei com a mala cheia, e queria ainda mais, queria ler todos. Minha única queixa é que gostaria de mais tempo para conversar com os autores. Mais intervalos entre um painel e outro seriam bem-vindos. 

Eram decisões difíceis: no fim de cada painel, os participantes davam autógrafos e conversavam com o público. Mas eu também não queria perder o pitching que rolava entre um painel e outro. Um desses pitchings me interessou tanto que corri depois para comprar o livro da autora, e acabei levando o último exemplar. Mas lamento não ter conseguido conversar com alguns. Quem sabe na próxima…

Precisamos de mais eventos como esse. Como disse o Fábio Fernandes, mesmo que você chegue sem conhecer ninguém, a sensação de pertencimento e de acolhimento é imediata. E é muito saudável ver o carinho que os autores têm um com o outro, é uma verdadeira comunidade.  

Fica sempre um gostinho de “quero mais”. Mas acima de tudo, foi uma oportunidade para trocar ideias com gente que sonha como a gente.



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